Testículo

 

Carcinoma embrionário de testículo

O interesse pelo estudo das neoplasias do testículo cresceu de forma significativa nos últimos anos, em vista dos elevados índices de cura da doença que são atualmente observados, mesmo nos casos avançados. Esta evolução resultou da incorporação, em clínica, de novos métodos de estudo por imagem, como a tomografia computadorizada e o ultrassom e do advento de esquemas quimioterápicos de grande atividade contra estas neoplasias. Como o emprego combinado e criterioso de cirurgia, radioterapia e quimioterapia, os índices de sobrevida de 5 anos, que antes da década de 60 situavam-se em torno de 50%, aproximam-se atualmente de 90%, transformando as neoplasias de testículo em doenças consistentemente curável. Ademais o interesse pelo estudo destes tumores relaciona-se com sua prevalência em indivíduos jovens e, portanto, em fase de grande produção intelectual e profissional, e de estruturação familiar.

Os tumores de testículo são subdivididos em tumores germinativos, que se originam das células germinativas, e tumores não-germinativos, que se proliferam a partir das outras células presentes no testículo. Os diversos tipos e a frequência relativa destes tumores estão apresentados na tabela abaixo.

Tumores Germinativos Frequência
Seminomas 40-45%
Tumores não-seminomatosos 35-40%
Carcinoma embrionário 15%
Teratoma 5%
Teratocarcinoma 15%
Coriocarcinoma

1%

Tumor do saco vitelíneo* 1%
Tumores mistos (sem.+ não sem.) 15-20%
Tumores não germinativos Frequência
Primários
Tumores de células de Leydig 1-3%
Tumores de células de Sertoli 0,5-1%
Sarcomas 1/2%
Secundários
Linfomas 6-8%
Metásteses -----

*Na infância compreende 80% dos tumores germinativos

Incidência

Os tumores germinativos compreendem cerca de 90% dos casos de câncer de testículos e 0,5% das neoplasias do sexo masculino, incidindo em 1 para cada 50.000 indivíduos. Atingem principalmente jovens entre 15 e 34 anos. A incidência de câncer de testículo varia geograficamente, sendo de 5 a 8 vezes mais frequente em países da América, quando comparados aos da Ásia. Diferenças raciais são também observadas, sendo reconhecida a menor frequência em indivíduos negros. Nos Estados Unidos, os tumores são cerca de 3 vezes mais frequentes em brancos e esta relação chega até a 20 vezes quando se comparam populações brancas e negras em países da África. Estes dados indicam a interfência de fatores genéticos no desenvolvimento dos tumores germinativos de testículo.

Etiologia
Apesar de diversas tentativas de se correlacionar o desenvolvimento dos tumores germinativos do testículo com agentes ambientais, ocupacionais ou virais, nenhum estudo consistente pode demonstrar a influência destes fatores no surgimento desta neoplasia. Apesar de alguns fatores sugerirem um provável papel de fatores genéticos na etiologia dos tumores de testículo, estudos realizados em grandes populações revelam que a relevância de possível transmissão genética da doença é desprezível.

Clínica
O diagnóstico nem sempre é feito no primeiro contato entre o paciente e o médico. Na verdade, entre 32% a 58% dos casos, quando vistos pela primeira vez recebem um diagnóstico incorreto, sendo facilmente confundidos com lesão testicular primária, hidrocele, hérnia ou torção testicular. É importante, pois, que todo paciente jovem com queixa de aumento de volume escrotal seja visto com muita atenção.

Exame físico
O testículo apresenta-se endurecido e aumentado de volume na palpação, com áreas nodulares na sua superfície. A gônada mais atingida é sempre mais pesada, o que faz com que o emiescroto deste lado fique em posição mais baixa quando o paciente está em pé. O diagnóstico da lesão testicular primária é feita com relativa precisão através do emprego do ultrassom escrotal. Lesões de até 0,3 cm de diâmetro podem ser detectadas através deste exame, mesmo antes de se tornarem palpáveis.

Tumores não-germinativos do testículo
Também chamado de tumor de células intersticiais, compreende de 2% a 3% dos tumores do testículo, Quando em crianças ou em adultos jovens, estes tumores quase sempre têm comportamento benigno (90% dos casos). Estas neoplasias manifestam-se sob formas de crescimento testicular lento e isto as diferencia dos tumores germinativos, onde a evolução da lesão é bastante rápida.