Doenças Císticas dos Rins
 

Do ponto de vista anátomo-patológico, são displasias. Do ponto de vista prático, podem ter diagnóstico, terapia e prognósticos variados. As mais importantes são:

 

1. Doença Policística Renal - Rins Policísticos (Adulto e Infantil)

Apesar de rara, atingindo 1 em 1000 pessoas, por ter características hereditárias dominantes (herança genética), fazem desta doença uma das mais estudadas. Isto é, ao diagnosticarmos em um adulto, podemos assegurar-lhe uma grande chance de passá-la aos descendentes. Apesar do rim ter tido formação e desenvolvimento normais, na vida adulta se iniciam as alterações, muitas vezes assintomáticas, que se resumem na formação de cistos de diferentes tamanhos. Nos maiores, pode haver desconforto lombar. Infecções urinárias podem ocorrer, bem como hipertensão arterial. Alguns cistos, por seu volume exagerado, podem requerer drenagem. Não existe tratamento específico para esta doença. Deve-se tratar à medida que os sintomas aparecem. A forma infantil, que não é hereditária pois a criança morre no primeiro mês de vida, sem chance de passá-la aos descendentes, é mais rara que a adulta.

 

2. Doença Multicística Unilateral

 
Nas crianças é a doença cística renal mais comum. Ver Rim Multicístico
 

3,. Cistos Renais Simples

Cisto renal no terço médio do rim

Cisto renal no pólo superior

Podem ser solitários (únicos) ou múltiplos, grandes ou pequenos, paredes finas ou grossas, mas conteúdo, sempre líquido (urina). Se houver qualquer outro material no cisto, quer seja sangue ou coágulos, septações, vegetações, este perde a característica de cisto simples e passa a ser "complexo", podendo significar presença de tumor renal. O cisto simples, que geralmente é achado de exame, pode estar localizado em qualquer região do rim, inclusive próximo à pelve renal, onde pode ser obstrutivo para o ureter. Desde que não afetem o rim em sua função e não causem desconforto pelo tamanho, devem ser apenas acompanhados. Quando crescem demais, podem comprimir órgãos vizinhos como intestinos, pulmões, estômago, etc., ou apenas causar dor lombar. De acordo com o caso, a drenagem percutânea (através da pele) pode ser realizada com anestesia local e o líquido retirado enviado para exame. Com a drenagem, os sintomas desaparecem e podem levar anos para voltar. Se houver enchimento em pouco tempo, a esclerose pode ser tentada, ainda por via percutânea. Se esta falhar, com nova recidiva, a cirurgia a céu aberto ou laparoscópica deve ser considerada.