Fimose

 

1- Fascia Superficial do Pênis
2- Fascia Profunda do Pênis
3- Sulco Balano Prepuscial
4- Glande
5- Meato Uretral Externo
6- Prepúcio
7- Freio do Prepúcio

O prepúcio masculino inicia sua formação na terceira semana de vida intrauterina, quando uma dobra de pele desenvolve-se a partir da base da glande. Cresce então no sentido distal e cobre somente o dorso até a formação da uretra  glandar, quando então os dois folhetos irão se fundir, formando o "freio" bálano-prepucial, em torno da 16 semanas de gestação.

Ao nascimento, e ao longo dos primeiros anos de vida, a grande maioria dos meninos apresenta o prepúcio exuberante e aderido à glande (prepúcio não retrátil), tendo, portanto uma superfície comum, cuja individualização será progressiva durante o crescimento, podendo estender-se até a adolescência. Neste período, glande e prepúcio somente poderão ser separados ao se exercer uma tração exagerada para baixo, no sentido da raiz do membro. Qualquer tentativa intempestiva de separá-los, além da dor, poderá levar à formação de "anel" fibrótico, inelástico conhecido por fimose (foto1).

 

Fimose com retenção urinária:
A imagem junto à pele, cor de guaraná, é urina dentro da mucosa

A higiene dos genitais masculinos nos primeiros anos de vida deve-se restringir apenas à parte que pode ser exposta exercendo-se ligeira tração, sem desconforto para a criança. Deve-se assim, evitar as tais "massagens" ou " exercícios" preconizados amplamente pelos pediatras. Também não se deve retirar o prepúcio em tenra idade apenas com o objetivo de "higiene" naquele local naturalmente selado pela natureza. No caso do menino ter infecções repetidas (balanopostites) com grande acúmulo de esmegma (secreção esbranquiçada e malcheirosa própria desta região quando não higienizada), muitas vezes um descolamento da pele sob anestesia local tópica é suficiente.

Fimose do recém-nascido, congênita ou fisiológica, pois todo menino nasce com um certo grau de fimose, cujos tecidos devem separar-se durante seu crescimento. O uso de manobras delicadas de exposição da glande, aliado a medicações tópicas e higiene adequada, podem descolar a pele mais rapidamente. Não raramente desfazemos o anel com anestésico tópico e uma pinça delicada. Observar que o uso de " exercícios " incorretos ou de forma intempestiva, podem formar um anel fibrótico, irreversível, só tratável pela cirurgia.

Fimose com anel fibrótico ou fimose inflamatória crônica, advinda de balanopostites de repetição ou trauma repetido, pelos " exercícios de retração do prepúcio". Aqui o tratamento é exclusivamente cirúrgico.
 

A finalidade do prepúcio parece ser unicamente de manter a glande, órgão erógeno masculino, protegida de pequenos traumas e com sua sensibilidade preservada. Deve-se, sempre que possível, nas cirurgias sobre o prepúcio (circuncisão ou postectomia ) preservar a maior área possível para proteger o máximo da glande.

Casos específicos como infecções urinárias na infância, acúmulo de esmegma, infecções locais repetidas, etc., deve ser avaliada pelo urologista infantil (ver Uropediatria).

A fimose não é entidade apenas dos meninos. Não raro nos deparamos no consultório com homens de idades variadas que apresentam tal alteração. Pode ser de origem inflamatória por trauma ou má higiene e ainda, congênito. Na maioria das vezes o tratamento é cirúrgico, requerendo a retirada do anel fimótico ou ainda, nos casos de higiene precária, de todo o prepúcio, deixando a glande sempre exposta (circuncisão). Podemos citar o Diabetes como uma causa muito comum de fimose no adulto.

Toda fimose deve ser acompanhada pelo urologista e devem ter o tratamento adequado instituído, conservador (clínico) ou cirúrgico, até em torno dos 4 anos de idade, quando então o menino começa a manipular os genitais, principalmente o pênis, dificultando qualquer conduta.