Assunto: Continência e Incontinência Urinária (IU)

Tenho 65 anos, estou com dificuldade urinário e a medicação que tomo há dois anos não surte mais efeito. Devo aumentar a dose ou operar?
 

Operar.  Com o advento dos alfa-bloqueadores há mais de 10 anos, a hiperplasia prostática benigna (HPB) passou a ser tratada pelo cliente e por alguns médicos, como apenas inconveniente da idade, uma doença inexorável da idade sem maiores complicações, um desconforto, um incômodo da idade e deixou de ser vista, erradamente, como uma doença de saúde pública. O portador de HPB, que antes recebia tratamento cirúrgico objetivo, minimamente invasivo (RTU), baixa morbidade  e curto internamento, passou a ser tratado como um doente crônico, como o hipertenso e o diabético, obrigado a valer-se de medicação diária dispendiosa e visitas freqüentes ao urologista. Sabe-se que o curso da doença não é afetado pela medicação, então cabe a pergunta, porque estes homens não foram operados em primeiro lugar? Não que a medicação não tenha suas indicações e seu valor confirmados por trabalhos, prevenindo a retenção urinária (RU) e a Insuficiência Renal Crônica (IRC) em muitos homens, até a cirurgia.  Como  tais medicações são suportivas, não diminuem o volume da próstata aumentada (ou muito pouco se associado à finasterida ou dutasterida,  durante os anos de uso da medicação, o homem agrega problemas de saúde que podem comprometer o tranqüilo pós-operatório que teria tido anos atrás.  Ante este prisma, a RTU de Próstata acabou sendo promovida de Gold Standart  para Plantinum Standart  do tratamento da HBP em homens com LUTS (Lower Urinary Tract Symptons). Trabalhos mostram que o dano do esforço à bexiga, não cessam com a medicação. O homem prostático, que pode dispor de um invejável tratamento minimamente invasivo, feito por vídeo, de pequena morbidade e rápida hospitalização, tornou-se um doente crônico, que não sabe quando terá que operar sua próstata.  Em todos os casos, o indivíduo envelheceu e sua aptidão física à cirurgia não é mais a mesma. 

Se o Senhor tem indicação e tem condições cirúrgica, opere.

 

Às vezes não consigo conter a urina. Porquê ?

A vontade de urinar já é a bexiga cheia e se insinuando pelo colo vesical (no home, pouco acima da próstata). Se inibí-la (fazer força para segurar), pode ganhar algum tempo, mas chega a hora em que ela não suporta mais e se contrai, se tentar inibir de novo, vai urinar... Chama-se urge (de urgência) - incontinência urinária. O mesmo existe para as fezes. Leia no site sobre incontinência urinária.

A bexiga é um reservatório ?

Sim. Lembre que ela armazena urina por 23 horas e 55 minutos e que apenas gastamos cinco minutos (no total) do dia, urinando.

 

 
Como posso saber se vou ficar incontinente ?

As pessoas com o passar dos anos podem ter problemas de continência, para mais (retenção urinária) e para menos (incontinência urinária). Se houver alguma alteração do hábito urinário com perdas aos esforços como tosse, espirro, risadas e ao levantar da cadeira ou cama ou se abaixar, pode ser incontinência (stress incontinence). Se houver uma vontade súbita de ir ao banheiro, incontrolável e com alguma perda de urina, pode ser incontinência (urgeincontinência) e se houver dificuldade urinária, jato fraco ou espalhado, diversas idas ao banheiro de dia e de noite, sensação de bexiga cheia mesmo após urinar, você pode estar caminhando para uma retenção urinária. Procure seu urologista.

 

Quem trata da incontinência urinária ?

O urologista trata deste problema em ambos os sexos e utiliza algumas técnicas diferentes do ginecologista nas mulheres.

 

Existe tratamento clínico para incontinência urinária (IU) ?

Sim e muitas vezes resolve ou ameniza o problema sem necessidade de cirurgia. Vale aqui lembrar que na maioria dos casos a cirurgia apenas resolve o problema anatômico ("bexiga caída") mas não controla as contrações não-inibidas que realmente ocasionam as perdas. Assim, é válido tentar o tratamento oral antes de operar, como um teste terapêutico.

 

Existe fisioterapia para IU ?

Sim, existem exercícios que visam fortalecer a musculatura pélvica  e assim devolver a continência (a ambos os sexos) ou atenuar a incontinência. São exercícios que devolvem o tônus à musculatura pélvica, cuja hipotonia (fraqueza) é uma das causas da IU.

 

O homem pode ficar incontinente ?
Sim, geralmente por lesões do esfíncter externo (Ver Anatomia) em acidentes ou cirurgias pélvicas, endoscópicas ou abertas, por lesões neurológicas (Ver Bexiga Neurogênica) como AVC (acidente vascular cerebral), trauma raquimedular ou doenças degenerativas (Parkinson, Esclerose Múltipla, Dem6encia Senil, etc.)

 
A próstata pode ser considerada parte do mecanismo de continência no homem ?

Sim. Ela está localizada antes do esfíncter externo e tem um certo papel na continência, isto é, à medida que ela aumenta de tamanho, começa a "estrangular" o canal da urina, podendo levar à retenção urinária ou seja, um "excesso" de continência.