Assunto: Câncer

 Sobre Câncer de Próstata
 
A cirurgia para o câncer de próstata pode ser feita sem corte? Como fica a potencia e a urina solta depois ?

A Prostatectomia Radical é na verdade a prostatovesiculectomia radical (PTVR), pois além da próstata são retiradas ambas as vesículas seminais em bloco (peça cirúrgica única). Além disto, são retirados linfonodos da cadeia obturadora na parte interna da pelve (bacia), para estadiamento (situação atual e idéia da progressão da doença).

A PTVR é o tratamento de escolha do câncer de próstata localizado, sendo a opção mais indicada se vamos falar de CURA com o paciente. Qualquer outro tipo de tratamento empregado (hormonal, quimioterapia, radioterapia) nos casos onde a cirurgia radical estava indicada, é PALIATIVO (torna uma doença ou sintoma menos intenso), isto é, embora tenha havido uma melhora rápida (PSA baixo) e poucas complicações a curto prazo, a chance de recidiva do câncer é muito grande, mesmo anos após, frisando que depois que o PSA voltar a subir, a chance de operar foi perdida na maioria dos casos, principalmente de radioterapia. O uso de hormônios complica a cirurgia do ponto de vista das margens de segurança, pois é possível que as alterações por ele provocadas levem mesmo o mais experiente cirurgião a deixar margens positivas, pois a anatomia cirúrgica (fibrose intensa, diminuição do volume da próstata e atrofia das vesículas seminais) é alterada pelo hormônio. O tratamento não cirúrgico deve ser instituído apenas nos pacientes sem condições de serem operados e mesmo estes tratamentos tem complicações gerais, como a DE (disfunção erétil), aumento do risco de trombose venosa e TEP (tromboembolismo pulmonar), derrame (AVC), etc., no bloqueio hormonal completo (castração química) e as retites (reto) e cistites actínicas (pela radiação na radioterapia).

Voltando à cirurgia, esta pode ser realizada por via aberta ou tradicional (incisão abaixo do umbigo) ou laparoscópica (sem incisão contínua, com seis ou mais furos na pele, que se somados ficam maiores que a incisão). Ambas, aberta e fechada, tem duas seqüelas principais: a DE e a incontinência  urinária.  A tradicional é menos demorada e é a que tem melhores resultados em termos de cura e continência, com pequena e desprezível desvantagem sobre a DE. Segundo trabalhos recentes (2005), a via laparoscópica, além de muito trabalhosa e demorada, tem deixado margens cirúrgicas positivas (tumor residual) mesmo com o mais hábil cirurgião, isto em torno de 13 a 15% dos casos selecionados para o método (tumores localizados), o que resulta em necessidade de complementar o tratamento com quimioterapia ou
radioterapia.

Embora estejamos à vontade com ambas as técnicas cirúrgicas, é importante que o cliente entenda que se houver tumor residual, a chance de cura desta terrível doença foi perdida. A opção da laparoscopia promete um talvez "melhor" resultado na manutenção da função sexual normal no pós-operatório, o que nem sempre se observa. Lembro aqui que o objetivo da PTVR é salvar a vida do homem, por isto o "radical" no nome. O índice de incontinência no nosso Serviço é inferior a 1%, enquanto que o de DE , beira os 40% mesmo com a técnica de "nerve sparing" (do inglês, poupando o nervo) que utilizamos  A DE advinda da PTVR é dependente de vários fatores presentes antes mesmo do trauma cirúrgico, como a DE (leia no site) e suas causas. Mas o principal é a idade do homem.  A DE pós-operatória será mais facilmente revertida quanto mais jovem for o indivíduo, isto é, um homem de 40-55 anos recuperará mais rapidamente sua potencia do que acima desta idade, lembrando aqui que muitos homens com 60 anos ou acima, já estariam com DE normal para a idade, mesmo a cirurgia radical.