Assunto: Bexiga

Fiz uma "raspagem" para retirada de um tumor de bexiga, mas o câncer voltou depois de alguns meses. Meu urologista não aconselha a retirada da bexiga, alegando que o tecido do intestino, quando usado para reconstituir a bexiga, acarreta diversos outros problemas. Que devo fazer?

A neobexiga ou bexiga ileal é o último artifício nos tumores de bexiga infiltrativos. Até lá, existem outros procedimentos (pergunte ao seu urologista) como o BCG (terapia tópica com BCG), cistectomia parcial (retirada da parte tumoral da bexiga), re-ressecção do tumor, sendo todos preferíveis à cistectomia + neobexiga. Se for um tumor infiltrativo e se chegarmos à indicação de uma neobexiga, a vida do portador será muito próxima do normal, pois o intestino reconstruído como bexiga, é um ótimo reservatório para a urina, apenas não se contrai como a bexiga, o que necessita de autocateterismo muitas vezes. O transplante de bexiga não é realizado porque o intestino cumpre bem a função por toda a vida do portador, o que não acontece com outros transplantes (rim, coração, pulmão) que duram com muita medicação, de cinco a dez anos, à exceção dos gêmeos indênticos.  O ideal é que o urologista trate os cânceres urológicos, pois as condutas entre oncologista e urologista, diferem.

 

Paciente transplantado renal, aproximadamente há 2 anos atrás, fez uma neobexiga ileal e realiza cateterismo de 2 em 2 horas. Existe algum medicamento que faça a bexiga liberar a urina sem cateterismo?

A substituição da bexiga é 100% igual em relação ao armazenamento da urina, mas ineficiente no aspecto esvaziamento, pois o íleo não tem força para vencer o esfíncter. Se o esfíncter fosse incompetente ou hipoativo, haveria perda completa de urina e não se faria uma neobexiga. Só se faz a neobexiga se o esfíncter for normal e puder ser preservado na cirurgia. Não há medicação para aumentar o tônus do íleo e a pressão dentro do íleo (quando não se faz o cateterismo), transfere-se imediatamente ao rim via-uretér e vai destruir o novo rim, pelo refluxo (volta de urina da neobexiga ao rim). Provavelmente o motivo da perda dos rins e do transplante, já foi este. Um esfíncter artificial não se aplica, inclusive pela insuficiência renal e uso de imunossupressores. O ideal, padrão mundial, é o cateterismo de alívio, 4 a 5 vezes no dia.