Ejaculação Precoce

Definição

No DSM-IV (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders- 4th ed) a Ejaculação precoce é classificada como um distúrbio da função sexual, e é definida como a ejaculação que ocorre antes do desejado, de forma persistente e recorrente, com um mínimo estímulo sexual. A ejaculação que ocorre entre 1-2 minutos após a penetração vaginal sugere fortemente uma ejaculação precoce e cerca de 30% dos homens que sofrem deste mal ejaculam antes mesmo da penetração. A ejaculação precoce também é conhecida como ejaculatio praecox ou ejaculação rápida.

Tipicamente, a ejaculação precoce é encontrada em homens jovens e está presente desde as suas primeiras relações sexuais, a chamada ejaculação primária.

Estima-se que a maioria dos homens ejaculem após 10-50 (ou mais) movimentos de penetração, enquanto os homens com ejaculação precoce ejaculam após 7 (ou menos) movimentos. Não se trata aqui de se estabelecer um critério matemático para a ejaculação precoce, mas sim fornecer alguns parâmetros práticos que podem ajudar a investigar casos em que os dados sobre tempo de latência da ejaculação não estejam disponíveis ou sejam confiáveis.

Uma latência ejaculatória curta não significa necessariamente  ejaculação precoce. O controle que o homem tem sobre o tempo de ejaculação também é uma característica importante. Homens com função sexual normal relatam um bom controle sobre a ejaculação, ao contrário de homens que sofrem de ejaculação precoce. Em uma escala de 7 pontos (1 ponto= nenhum controle ; 7= controle total), homens com ejaculação precoce marcaram a sua pontuação entre 1-2, enquanto homens que dizem ter um funcionamento sexual normal marcaram no mínimo 5 pontos nessa mesma escala.

O diagnóstico baseia-se na queixa do paciente ou, muitas vezes, de  sua parceira. É importante lembrar que problemas ocasionais de ejaculação precoce, não recorrentes ou não persistentes, não acompanhados de sofrimento acentuado ou dificuldade interpessoal, não se qualifica para o diagnóstico de ejaculação precoce. Fatores que afetam a duração da fase de excitação devem ser levados em conta: idade, novidade da parceira ou situação sexual e freqüência da atividade sexual recente.


Causas

De maneira não surpreendente, a origem da ejaculação precoce é vista como uma soma de fatores psicológicos e biológicos. Poucos são os casos em que pode-se dizer que há apenas um desses componentes envolvido. Pode-se citar como exemplo de ejaculação precoce de origem puramente orgânica aquelas resultantes de cirurgias pélvicas, prostatectomia ou mesmo hipogonadismo. Outro exemplo de ejaculação precoce de origem psicológica ocorre em casos onde a ejaculação rápida é ocasionada devido a um sentimento de vergonha e culpa subconscientes quanto à própria sexualidade.

Em termos fisiológicos, embora não haja evidências claras quanto a diferenças entre homens que sofrem de ejaculação precoce e aqueles que não, alguns estudos sugerem que homens com este distúrbio apresentam potenciais relacionados a eventos (PREs) corticais mais intensos quando há estímulo das vias aferentes do nervo podendo e um tempo de latência mais curto nas vias eferentes que envolvem a expulsão do sêmem.

Devido ao fato de drogas anti-depressivas que aumentam a transmissão monoaminérgica central terem a capacidade de retardar a ejaculação, tem sido postulado um papel importante para a noradrenalina e serotonina centrais no controle da ejaculação. estudos animais sugerem fortemente o papel de receptores para serotonina (5-HT1a) no controle do tempo de latência para ejaculação.

O mecanismo da ejaculação envolve uma complexa integração de vias nervosas e fatores psicológicos.

De maneira bastante simplificada, podemos dizer que uma via nervosa aferente parte da glande peniana em direção à medula e desta saem nervos da cadeia simpática, mediados pela noradrenalina e nervos somáticos, mediados pela acetilcolina. Esses nervos são responsáveis por uma série de eventos que culminam na ejaculação. O sistema nervoso central tem um papel modulador, ora facilitando, ora inibindo o orgasmo. A serotonina tem um importante papel modulador do orgasmo, podendo retardá-lo. É interessante notar que, apesar do componente de ansiedade entre os determinantes da ejaculação precoce, os ansiolíticos não demonstraram eficácia no tratamento desse distúrbio.

O comportamento sexual do indivíduo desde o início de sua vida sexual também acaba determinando, através do aprendizado e comportamento repetitivo, o controle que o homem tem da sua ejaculação.

A ejaculação precoce pode coexistir com a disfunção erétil, embora não se saiba com que freqüência ocorra essa associação.  Nesses casos, geralmente o homem ejacula sem ter uma ereção completa, com a tumescênca da glande alcançando um nível sub-máximo antes da ejaculação.

Quando há coexistência de disfunção erétil e ejaculação precoce, é recomendável investigar a correlação temporal entre ambas. Quando o problema da ejaculação precoce precede o da disfunção erétil, isto pode ter relação com uma deterioração da integridade neural da região genital. Quando a ejaculação precoce ocorre em homens que sofrem de disfunção erétil, a ejaculação precoce pode ser um modo do homem lidar com o seu medo de perder a ereção, mas de qualquer forma isso deve ser investigado.